quinta-feira, 15 de julho de 2010

Relógio sem pilhas.

Com o café esfriando na mesa, os dois se esqueciam da hora. Pensaram que o mundo havia parado. Em grande parte devido ao relógio que parara às sete da manhã daquele domingo. Se amaram como se não mais existisse a regra social da missa no domingo, como se aquele dia fosse para os dois se tornarem um só. Ele disse que ninguem é ruim por natureza, mas sim por não ter tempo para procurar a solução melhor. Ela o calou com um beijo e lhe perguntou sobre quem ele falava se não havia mais pessoas no mundo. O barulho do trânsito, que agora teimava em colorir o silêncio, não a fez mudar de idéia.
E assim passaram o dia. Acreditaram que o universo se resumia àquelas quatro paredes. Com a noite veio também a sensação de insanidade, por ambas as partes. Enfim, um domingo ideal se concretizou.

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